domingo, 1 de março de 2009

Socióloga Heloisa Reis defende lei específica e polícia especializada para conter violência em estádios

Em entrevista exclusiva à Casa do Torcedor, a socióloga Heloisa Reis enumera uma série de medidas que deveriam ser tomadas pelas autoridades para diminuir a violência no futebol, entre elas a aprovação de uma legislação específica e a formação de policiais especializados em prevenção de confusões em eventos de massa.

A socióloga ainda classifica como uma “estupidez” as propostas de extinção das torcidas organizadas e responsabiliza dirigentes e imprensa por conflitos em estádios.

Professora da Faculdade de Educação Física da Unicamp, Heloisa Reis coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol da universidade de Campinas. Também já coordenou a pesquisa “A caracterização do torcedor organizado de São Paulo”. É uma das maiores autoridades do país sobre violência no futebol e não pode deixar de ser ouvida pelas autoridades antes de qualquer decisão do governo para o problema.

Qual o melhor caminho para acabarmos com a violência entre torcidas? Que medidas devem ser tomadas pelas autoridades?

Por ser um problema extrínseco ao esporte, complexo e multifatorial, é muito difícil acabarmos com a violência entre torcidas. Apesar da dificuldade de acabarmos com a violência nos estádios, uma série de medidas poderiam ser tomadas para que...

1. As autoridades governamentais responsáveis pela Consegue – Comissão Nacional para a Segurança e a prevenção da violência nos espetáculos esportivos – nomeiem um grupo capacitado para geri-la, além de dar suporte para o trabalho da mesma.
2. Apoiar as pesquisas sobre o tema, tanto às acadêmicas quanto as policiais. Investir em treinamento e equipamentos para a formação de policias especializados na prevenção da violência em eventos de massa.
3. Incentivar e sensibilizar os deputados e senadores na aprovação de uma lei específica para atos de violência em eventos esportivos.
4. Fiscalizar o cumprimento do Estatuto do Torcedor. Apoiar e sensibilizar o Congresso Nacional na aprovação do novo projeto de lei que propõe alterações para o Estatuto do Torcedor.
5. Acabar com a impunidade.
6. Punir os dirigentes, técnicos, jogadores, policiais, jornalistas e espectadores que provocarem (vierem a provocar) tumulto ou derem declarações à imprensa que possa incentivar a violência e a rivalidade entre os espectadores (torcedores).
7. Coibir os excessos dos agentes de segurança pública com constante avaliação de suas atuações.
8. Abrir um canal de denúncias anônimas sobre os abusos cometidos por policiais em eventos esportivos.
9. Criação de comissões estaduais de prevenção da violência em espetáculos esportivos em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – estados que apresentam maiores problemas dessa natureza.

Desigualdade e injustiças sociais, que são causas da violência em geral no Brasil, têm relação com as brigas em estádios?
Podemos dizer que estas são as causas estruturais da violência que ocorre nos dias de jogos de futebol.

Muitas pessoas acreditam que a extinção das torcidas organizadas resolveria esses problemas. Qual sua opinião sobre isso?
Este é um tremendo equívoco gerado historicamente no Brasil pelo desconhecimento do problema da violência em dias de jogos e por averiguações superficiais da presença de sócios de torcidas organizadas ou até por uma suposição desta participação, criou-se o mito do vinculo da violência com as torcidas organizadas apenas. O que é um grande equívoco e uma maneira de não debater e compreender o problema. E consequentemente não resolvê-lo. Todos os países que enfrentaram seriamente o problema recorreram aos estudos acadêmicos e policiais para compreendê-lo e elaboraram políticas públicas subsidiadas nestes estudos.
A proposição da extinção das torcidas organizadas é uma estupidez. E poderíamos dizer que é uma solução inadequada para um problema sério e de segurança pública. Seria o mesmo que propor o fechamento do Congresso Nacional por suposição da existência de políticos corruptos. Não se resolverá esse problema fechando organizações sociais juvenis pelo fato de suporem serem estes os responsáveis pela violência em dias de jovens. Em uma sociedade democrática a livre associação é um direito dos cidadãos, ainda mais em uma sociedade desprovida de projetos para a juventude é legítimo a organização de jovens para desfrutar de um tempo de lazer prazeroso. O que ocorre no Brasil é que a pouca seriedade das autoridades no trato da questão suscita sempre em um primeiro momento decisões arbitrárias e autoritárias da simples extinção delas.

Você acredita que imprensa e dirigentes também têm responsabilidade pela violência no futebol, ao incitarem a rivalidade?
Sem dúvidas. Nos países que resolveram o problema da violência em dias de jogos eles criaram leis responsabilizando imprensa e dirigentes em casos que estes façam declarações ou comentam atos indevidos e incitadores de violência.

2 comentários:

Everton Domingues disse...

Caro amigo
Conheci seu blog através do Breiller. Visitei todos q participam da promoção semanal dele e gostei muito da tua proposta. Sou mais ligado aos esportes olímpicos como jornalista, mas tb sou torcedor de futebol e há muito tempo não vou pra arquibancas (fico na área de imprensa) justamente por conta da violência q vemos muito por lá.
Força ai na sua iniciativa e já me torneio seu seguir e apoiador. Esta semana meu voto é em seu blog e idéia!
Força ai e vamos fazer nossos estádios mais agradáveis para todos. O show dentro do campo é oq deve interessar. E fora o 'crime organizado' das organizadas...
Abração

Everton Domingues
www.vancouverolimpica.blogspot.com,
www.beijingolimpica.blogspot.com e
www.londresolmpica.blogspot.com

Anônimo disse...

O tal de Everton visivelmente comentou sem nem sequer ler o texto. Olha a merda que ele me escreve: "O show dentro do campo é oq deve interessar. E fora o 'crime organizado' das organizadas..."

Sério, deprimente.